30.8.08
algumas letrinhas...
Nunca.
Eu imaginava os netos e os colos e afagos, em tempos distantes. E a velhice.
Eu me imaginava indo pra fora e voltando e tudo bem.
E mesmo com tudo isso e aquilo, eu não imaginava tanta coisa.
Eu nem imaginava.
25.8.08
these days...
I don't do too much talking
These days, these days
These days I seem to think a lot
About the things that I forgot to do
And all the times I had the chance to.
(...)
And if I seem to be afraid
To live the life that I have made in song
It's just that I've been losing so long.
(Nico)
19.8.08
sobre o tempo que passou
quando eu deixei que todas as minhas coisas acumulassem na frente do computador a ponto d'eu não ver mais o monitor?
quando a tv parou de funcionar e o ventilador passou a soprar um vento quente?
quanto tempo o violão passou desafinado? a ponto d'eu me acostumar com o som...
quantos dias sem nescau?
quanto tempo sem te ver?
quantos quilos a menos?
quanto dessabor ainda por vir?
até quando sem você aqui?
23.7.08
não adianta.
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu pra você
(Esotérico - Doces Bárbaros)
so long.
tem um samba no meu peito que toca e ritma o batuque do meu coração, me mandando correr que o mundo é grande e não adianta ficar sentada aqui.
não, mãe, ninguém vai me acompanhar. nem você. nem ele. vou deixar vocês aí até minha volta, que não demora.
pode ser que dure uma música, um show, uma década. mas uma década bem rápida, você vai ver.
é que eu preciso procurar novos pássaros, que os na minha parede não cantam mais.
e eu preciso procurar sozinha.
15.7.08
Rob Fleming quotes
12.7.08
2.7.08
as cores de Joana
mas a porta de madeira desgastada estava a sua frente e tudo que ela precisava era coragem pra enconstrar a mão na maçaneta enferrujada e deixar que seus olhos percorressem a casa até encontrar com os dele, na penumbra.
porque foi assim que ela imaginou...
todos esse anos, quando ele dizia "estou chegando", ela imaginou exatamente assim: correria de volta pra casa no final da rua e, quando seus olhares se encontrassem, todo o resto estaria dito.
mas agora, ali, parada, era mais que isso.
não era só a chegada dele. era também a volta dela. Joana não sabia se queria isso. se queria voltar aos dias em que seu coração batia apertado, limitado à distância de um quarteirão.
depois que ele se foi, o coração de Joana ganhou quilômetros. ela até encontrou o sótão colorido dentro de sua própria casa e a brisa da manhã agora refrescava como nunca.
ainda assim, o impulso de vê-lo era maior que a vontade de dar as costas e entrega-se às cores que ela havia encontrado.
então, após os dez mais longos segundos de ponderação já passados por Joana, ela abriu a porta e, enquanto escutava o rangido, seus olhos passavam por cada detalhe da casa que parecia a mesma de cinco anos atrás, com todos os seus tons de cinza devidamente conservados.
e Joana se deu conta de que ele não estava ali. não se sabe se a pouca iluminação que não permitiu que o visse ou se ele apenas preferiu não mostrar-se, mas é fato que o tão esperado encontro de olhares não ocorreu.
e Joana respirou fundo, com todo o ar que não veio quando ela chegou naquela porta. parecia o mesmo ar das brisas matinais no seu sótão. o mesmo ar que vinha deixando-a leve a bastante tempo.
era um ar de alívio. um ar de quem não precisava mais dos tons de cinza da casa da esquina.
então Joana fechou a porta e caminhou um quarteirão de volta.
canoas e marolas
(João Gilberto Noll)
4.6.08
último mês
cheiro de banco é algo bem peculiar. as pessoas fedem e isso não indica quanto elas tem na conta. eu acredito mesmo que não existem pessoas que fedem daquela forma de verdade. eu quase posso ver o odor saindo do corpo delas a partir do momento em que elas abrem a porta do banco e parando quando elas saem de volta pra rua. é só porque faz parte do procedimento bancário atender pessoas fedorentas. e essa é minha função: atender.
alívio vai ser não ouvir mais que devo oferecer empréstimo para os aposentados. ou ver a porta giratória travar uma pessoa só porque ela não tem uma conta milionária pra movimentar.
claro que nada disso me tira a alegria de chegar no Pão de Açúcar e pegar Baconzitos de graça pra ele comer com ketchup. posso até falar timidamente que vê-lo sentado feito criança, comendo porcaria, me faz sentir bem melhor que quando eu consulto meu saldo, no quinto dia útil do mês.
28.5.08
four days a week
E agora eu queria mesmo era voltar pra lá.
10.5.08
I'll be your mirror
I'll be the wind, the rain and the sunset.
'cause when you think the night has seen your mind
- that inside you're twisted and unkind -
let me stand to show that you are blind...
please put down your hands. 'cause I see you.
... http://youtube.com/watch?v=CvoWf1HPFYM ...
4.5.08
rua, espada nua...
ela me falou do tempo que tava curto e azul e da quietude do seu coração.
foi nesse dia que ela me disse pra ter calma, que não há eternidade nos ventos.
e me disse também que correr descalço machuca os pés, mas a terra entre os dedos te faz sentir. e sentir importa bem mais.
foi então que eu, sempre de chinelos, resolvi descalçar.
e - que surpresa - descansei.
bleh
e contando menos de 3 meses pra 20 dias.
defina saudade.
porque eu já não sei mais...
23.4.08
assim
Qual a dificuldade, Gabriela?
Qual a dificuldade de sentar no batente, com o queixo nas mãos, e pensar que o sol não ardeu ainda o suficiente no rosto?
Qual a dificuldade das poças d’agua e dos vinis arranhados?
Que que acontece pro lilás sair só porque uma palavra foi colocada errada? – ou seis, ou vinte e três palavras...
Elas são pequenas, Gabriela.
Todas pequenas pros seus passos largos...
E é assim que ainda vai ser depois de amanhã.
6.4.08
"pé de cachimbo"
Eu adoro as tardes saudáveis de comer chocolate e tomar coca-cola na frente do computador.
Só quando a gente começa a correr é que valoriza ficar parado.
Prestar atenção na letra de uma música... Ver besteiras no youtube, passar horas pintando, abraçar no friozinho da chuva...
Quando você quer esticar os segundos do fim de semana e respirar fundo, pertinho.
Pena que amanhã é segunda.
31.3.08
Ele fica sempre quieto no alto da estante. Pegando poeira, quem sabe...
Ele não pede leitura, mesmo sendo um livro.
Mas às vezes pode alguém perceber que ele está ali... E resolver folheá-lo ou até mesmo lê-lo por completo. Não quer dizer que vá entendê-lo.
Quem sabe também, alguma vez, dê um vento que chegue ao alto da estante e faça o livro se abrir... Faça suas páginas dançarem e as notinhas guardadas nele (de algum tempo remoto de leitura) se perderem.
Ventos vêm e vão assim mesmo...
28.3.08
dreamers..
no programa, ele entrevistava o carlos alberto de nóbrega.
porque o teto da casa do carlos alberto era todo de cartoon.
ele ia conversar sobre isso e o carlos alberto explicava que tinha pago 6 reais pelos quadrinhos maiores.
além disso, as paredes da casa do carlos alberto eram roxas, com detalhes roxos (tipo abajur, criado-mudo). e eu ficava pensando que isso era muito sem propósito... porque sendo os detalhes da mesma cor da parede, nem dava pra ver direito...
aí eu acordei...
como assim, bial?
23.3.08
oooh life... is bigger
Então…
De que adianta a gente vir aqui e falar todas as coisas?
Se depois você vai mesmo bater a porta e eu nem vou mais te ver.
Se é tudo tão incerto que fica escuro mesmo com o sol a pino.
Se meu coração agora se sente abafado, batendo contido.
Eu não desejo mais aquelas manhãs onde cada flor cor-de-rosa tinha um tom dado por nós.
Onde procurávamos as constelações ainda longe de aparecerem...
Não quero que você me venha com bombons ou meias coloridas.
Eu só quero...
Quero mesmo uma porta batida.
Um olhar pela fechadura.
E um abraço antes disso.
16.3.08
mornington crescent
I’m feeling free.